domingo, 27 de abril de 2008

Domingo poético

"A VIDA É A ARTE DO ENCONTRO, EMBORA HAJA TANTOS DESENCONTROS PELA VIDA"
Vinícius de Moraes

O imprevisível na política

Sempre considerei que uma das boas atrações da disputa política é a sua imprevisibilidade. Pessoas que jamais sonharam em ocupar um cargo público, terminam encontrando o seu espaço e fazem carreira no mundo político. Chamo esse fenômeno de "ocupação do vácuo político". Já presenciei inúmeras pessoas serem picadas pela "mosca azul" nessas circunstâncias. Isso chega a ser impressionante pela sutileza com que a oportunidade surge. Só de relance, posso citar como beneficiados desse jogo político, figuras como o governador Wellington Dias, o ex-prefeito de Campo Maior, Antonio Lustosa e o senador Mão Santa, quando se candidatou ao governo pela primeira vez. Nesse debate antecipado das eleições presidenciais de 2010, li uma entrevista interessante do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na qual afirma, com categoria, que a ministra Dilma não será a iluminada pelo presidente Lula para sucedê-lo. O ex-presidente aposta as fichas em um nome pouco discutido, o do atual ministro da Educação, Fernando Haddad. O tempo dirá, se outro nome não surgir, inesperadamente.

O beija-mão de hoje

Data de 1872 o decreto instituido pelo imperador Dom Pedro II pondo fim ao rito do "beija-mão", quando os gentis-homens do Império se curvavam para sapecar o beijo na mão direita do imperador. Acontece que esse hábito parece permanecer até hoje. Numa clara alusão de puxar o saco da autoridade, os gentis homens de hoje só faltam mesmo beijar-lhe à mão. Pura necessidade de bajular, coisa que muitas autoridades detestam.

A palavra é nepotismo

Nepotismo. s. m. 1. Excessiva influência que os sobrinhos e outros parentes dos papas exerceram na administração eclesiástica. 2. Favoritismo de certos governantes aos seus parentes e familiares. Pois é isso que ocorre a todo custo nas cidades do interior do Piauí. Os prefeitos empregam seus parentes da maneira mais escandalosa possível e tudo fica por isso mesmo. Passam-se quatro anos, depois eles se reelegem e a vida continua linda para aqueles que se aproveitam do dinheiro público. Digo isso porque presenciei uma cena que mostra muito bem essa realidade. Cheguei numa cidade do interior do Piauí e vi o prefeito municipal apresentando (com orgulho e sem vergonha) os diretores e funcionários do hospital que estava sendo inaugurado. A médica, diretora do hospital, era sua filha. A enfermeira, sua sobrinha. A odontóloga, sua outra filha. A fisioterapeuta, sobrinha de sua esposa. Isso mesmo, tudo em família. Eu estava enganado quando pensei que já tinha visto tudo em matéria de nepotismo.